Por um Natal sem armas de brinquedo
02/12/2003 - 20:48 - Luiz Claudio Costa

Nas vésperas do Natal, milhões de pais em todo o mundo correm às lojas para comprar brinquedos, a fim de presentear seus filhos na principal data do cristianismo. Muitas vezes, a garotada recebe dos seus familiares armas de brinquedo. Ao longo de 2003, vários países desencadearam campanhas de recolhimentos de armas de brinquedo, acreditando-se que tais artefatos podem estimular futuras reações violentas dos jovens, e também que participam do aumento dos índices de criminalidade .

O impacto que esses brinquedos podem trazer para a formação infanto-juvenil gera algumas controvérsias. Se por um lado há os que defendem que a arma de brinquedo estimula a agressividade natural da criança, por outro existem os que alegam que tais artefatos podem provocar estímulos violentos.

A psicóloga Heloiza Tinoco, orientadora educacional que trabalha há 25 anos com estudantes do Ensino Médio, acredita que além das armas de brinquedo, os programas de televisão violentos podem provocar atos violentos. “Não se pode dizer que as crianças que brincam com revólveres de brinquedo serão bandidos no futuro. Fatores como o ambiente familiar e a formação escolar são cruciais para o processo educativo, mas acredito que outros brinquedos possam ter participação mais efetiva na formação do jovem”.

Coordenador da ONG Educadores da Paz, o padre Marcelo Guimarães explica que o ato de brincar é a linguagem pela qual a criança entende, aprende e interage com o mundo. Segundo ele, é por meio do brinquedo e do ato de brincar que as crianças aprendem a se relacionar consigo mesma, com os outros e com o mundo.

“Não é que a criança que brinca com brinquedos de guerra necessariamente será mais violenta que as outras - definitivamente a violência não é um problema simples -, mas as crianças que não brincam de guerra terão outras possibilidades de simbolizar o mundo, através da descoberta de formas não-violentas”, explica o religioso, doutor em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Marcelo faz um apelo aos pais de todo o mundo que presentearão os filhos ou outras crianças no Natal, lembrando que no dia 27 de novembro foi celebrado o Dia Internacional contra os Brinquedos de Guerra. “Para os adultos que oferecem os brinquedos, dar ou não dar brinquedos de guerra revela-se como uma oportunidade de simbolizar o mundo que desejam que seus filhos e descendentes cresçam”.

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